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OMS cria comitê para debater futuro da edição genética humana

Internacional - A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um comitê para decidir novos limites para as pesquisas e as aplicações clínicas da edição genética humana no mundo. A iniciativa é pioneira e será conduzida por um grupo formado por maioria feminina.

Os especialistas trabalharão durante 18 meses, mas algumas decisões já foram tomadas em Genebra, na Suíça, nesta terça-feira (19). A primeira delas é trabalhar na criação de uma estrutura internacional para ser referência aos países com pesquisas na área. Os membros concordaram que os princípios fundamentais serão: transparência, inclusão e responsabilidade.

O comitê também definiu que será criado um registro central para os cientistas incluírem o teor e os objetivos de seus estudos. Esse banco de dados deverá ser aberto para que todos tenham acesso aos trabalhos em andamento.

Essa reunião da organização ocorre após a publicação de uma carta na revista "Nature". Nela, os principais envolvidos com a técnica para edição, incluindo o detentor da patente, Feng Zhang, pediram um acordo global para impor limites à edição do DNA.

A elaboração da carta e também a criação do comitê da OMS são respostas a uma notícia que mexeu com a comunidade científica no final de 2018. He Jiankui, um chinês da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, disse ter editado os genes de duas bebês para torná-las imunes ao HIV. Os embriões, segundo ele, foram implementados e a mãe já estaria grávida das gêmeas. Ele foi demitido e proibido de continuar as pesquisas.

Jiankui usou Crispr, a técnica de edição genética que pode colocar em xeque o futuro do DNA humano - dependendo de como vamos usá-la. Ela é uma forma relativamente barata e viável de editar o material genético dos seres vivos. As aplicações prometem ser de grande benefício ao planeta inteiro, desde que os limites para a manutenção da espécie sejam mantidos.

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