Editorial

Sergio Moro sai ou fica

Brasil - Será que o semblante do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro é de cansaço ou de arrependimento? Deixou uma carreira promissora de vinte e dois anos como Juíz Federal para assumir o Ministério a convite do então presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Em novembro do ano passado, quando confirmou o convite ao juiz o presidente eleito disse em entrevistas que tinha combinado com Moro que ele teria “liberdade total” para o combate à corrupção e ao crime organizado e afirmara que “a escolha do chefe da Polícia Federal seria uma das atribuições do ministro da Justiça”. Essa promessa durou apenas alguns meses! Ficou só na promessa.

Nesses últimos dias o que se vê é uma crise entre o presidente, o ministro da Justiça e a Polícia Federal, após o presidente atropelar a instituição e anunciar a troca do superintendente da PF, no Rio de Janeiro. Moro se viu enfraquecido.

Na última quinta-feira o presidente ameaçou até trocar o comando da Polícia Federal, hoje a cargo de Maurício Valeixo, que virou chefe da por escolha de Sergio Moro.

Explicar a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, acabou irritando o presidente: “agora há uma onda terrível sobre superintendência. Onze foram trocados e ninguém disse nada. Espera aí, se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o Diretor Geral, qual o problema? Está na lei que eu indico, e não o Sergio Moro. E ponto final”. “Quem manda sou eu”, completou o presidente.

É bom lembrar que num passado não muito distante, o presidente Bolsonaro havia dito que “Moro teria mais poderes em Brasília do que como Juiz Federal”. Passados oito meses de governo, Moro já foi atropelado pelo presidente umas cinco vezes. Ninguém consegue apontar as vitórias que Moro teve nas quedas de braço com o presidente.

O que piorou o clima entre eles, além da troca da Superintendência no Rio de Janeiro, foram as sucessivas derrotas com seu projeto anticrime no Congresso. Jair Bolsonaro chegou a dizer que Moro não tem mais o poder da caneta que tinha quando era juiz.

A situação do ministro Sergio Moro não está nada confortável. Ele pediu exoneração do cargo de juiz federal para virar ministro da Justiça, com a promessa de ser indicado pelo presidente a assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Agora, o que se vê é um ministro cabisbaixo, calado e sem poder perante ao presidente.

É uma pena tudo isso. Quem perde é o Brasil. Tínhamos um juiz que mandou para a cadeia políticos bandidos e corruptos. Hoje temos um ministro da Justiça que, até então era tido como um herói, ser desprestigiado no próprio governo.

A oposição, senhor presidente, está batendo palmas.


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