Educação

Qualidade de vida aos professores em Jacareí

Jacareí - “A vida é uma escola na qual nunca nos diplomamos.” A frase está inscrita em uma das placas na trilha que a professora Luiza Helena de Macedo César, 46 anos, tem feito nos últimos meses no imenso Viveiro Municipal de Jacareí, e confirma a experiência que ela está vivendo. Mas o caminho percorrido não se trata apenas de uma trilha ecológica.

Luiza Helena e mais 49 professores da rede municipal de Educação estão participando do curso 'A Natureza como Educadora', que tem como proposta uma formação que valoriza o autoconhecimento do professor por meio da meditação e do contato com o meio ambiente. O curso, que termina neste sábado (20), vem sendo realizado uma vez por mês desde agosto passado, em parceria das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Educação com a ONG Instituto Romã.

O grupo de professores aceitou o desafio de sair da condição de mestre para assumir o papel de discípulo. A sala de aula é uma imensa área com 600 mil metros quadrados de muito verde, onde o único barulho são os cantos de pássaros e cigarras ou sons dos pés pisando em folhas secas. E, como disciplina, “a arte e a ciência de descobrir-se a si mesmo”. “A proposta é a melhora do participante como ser humano”, afirma Rita Mendonça, consultora do Instituto Romã.

A diretora de Meio Ambiente, Izabel Lavendowski, explica que a cada encontro os professores são estimulados a deixar de lado as preocupações “do mundo externo” para refletir sua qualidade de vida a partir das suas atitudes, dos seus hábitos. “Não se trata de um curso de auditório, mas também não é um simples passeio pela natureza. A cada encontro, o professor é motivado a pensar em si como pessoa, a mergulhar na sua essência. O curso é uma oportunidade para a pessoa aprender a cuidar do seu próprio bem-estar, que sem dúvidas reflete na sua vida pessoal e profissional”, comenta.

Professora da rede municipal há 23 anos, Luiza Helena reconhece que no curso aprendeu a “ver sentido” no que faz e a se preocupar com seu bem-estar. “É interessante porque eu aprendi a dar atenção às coisas à minha volta. Porque a tendência é a gente se deixar ser consumida pela rotina, fazer tudo 'no automático' e acabar não vendo sentido nas coisas que faz”, avalia. Ela faz questão de frisar que as mudanças que têm observado após o curso não são “espetaculares”, mas simples. “Um hábito que adquiri é o de tomar água, por exemplo. Antes não tomava água e não percebia o quanto isso era prejudicial. Hoje, além de beber a água, sinto o prazer que é beber essa água e o bem que ela me faz”, destaca.

Outro participante do curso, Rodrigo Donizete Carneiro, 39 anos, é professor na rede municipal há dois anos. Ele também concorda que o curso proporciona “mudança de hábitos”. “Aprendemos mais sobre nós mesmos. São lições que fogem do nosso ambiente da sala de aula, mas que resultam numa mudança interna que vai refletir na vida profissional, sem dúvidas”, avalia.

O curso, conforme a diretora, surgiu a partir de uma sugestão da gerente de Educação Ambiental, Patrícia Quina, que participou de uma formação no Instituto Romã. “Como a Patrícia (Quina) é professora, já foi diretora, conhece as necessidades do professor e sabe que uma delas é a valorização dele enquanto ser humano. Ela gostou da metodologia utilizada no curso que une Educação e Meio Ambiente, duas áreas devem andar juntas”, finaliza Izabel.

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