24/04/2024 13:54

Em mutirões, trabalhadores limpam a cidade após temporal

O barulho que mais se ouve pelas ruas do Jardim das Indústrias, de São José dos Campos, é o das motosserras. O bairro foi um dos mais atingidos pelo temporal desta semana. Os ventos chegaram a 95 km/hora e derrubaram dezenas de árvores, algumas gigantes, arrancadas pela raiz.

Foram pelo menos 220 ocorrências de quedas de árvores e galhos espalhadas pelas ruas da Região Oeste, pelo centro e por outras regiões da cidade.

Um fato que não se via há muito tempo. E diante de tantas ruas interditadas e muitas pessoas solicitando a retirada dos galhos foi preciso recrutar um batalhão para enfrentar este cenário. Um time grande, de sol a sol, que está fazendo toda diferença.

Só da Secretaria de Manutenção da Cidade e da Urbam, 200 funcionários estão mobilizados para tirar das ruas todas as árvores que caíram. Equipes das dez Regionais da SMC, incluindo a de São Francisco Xavier, se uniram nesse trabalho demorado, principalmente pelo tamanho das árvores.

Os troncos largos e a madeira maciça não desanimam ninguém. Muito menos os que têm a motoserra como companheira de trabalho.

“Ah, se não fosse ela seria muito mais difícil, ia demorar bem mais”, diz o jardineiro monitor Adilson Machado, 51 anos. Dos 33 anos que trabalha na prefeitura, pelo menos dez foram com a motosserra. Ele já perdeu as contas de quantas árvores cortou nessa função. “Muitas. E em todas tem que ter o mesmo cuidado e força. Além de trepidar muito, é perigoso se você não tiver prática”.

As equipes querem ajudar a solucionar tudo o mais rápido possível e a previsão é de mais uma semana intensa “Estamos trabalhando todo dia até tarde da noite. A gente gostaria de ajudar todo mundo ao mesmo tempo, mas temos que priorizar as emergências” diz o monitor Luciano de Oliveira, de 38 anos.

Atualmente ele coordena cerca de 40 pessoas e diz que o mais gratificante tem sido atender os moradores. “A gente vê que muitos ficam assustados com a árvore que caiu sobre o quintal ou a casa. E aliviar um pouco desse transtorno, ajudar as pessoas, é muito bom. É a nossa recompensa”.

Os homens não estão sozinhos nessa batalha. A funcionária da Urbam Fernanda da Rosa Martins, 33 anos, trabalhava nas operações de combate à dengue, mas desde quarta-feira integra uma das muitas equipes que fazem parte do mutirão de limpeza da cidade. “A gente tem que se unir nesse momento”.

Os moradores dos bairros ficam de olho, ansiosos, para que a via seja liberada. “E quando a gente termina, é até emocionante. Eles dão os parabéns, agradecem e reconhecem nosso esforço”. E haja força para manter o ritmo. Sem parar, Fernanda e os colegas retiram os galhos e jogam pra cima do caminhão a todo momento “É cansativo. Não se compara a nenhuma academia”, afirma.

Retirar galho por galho e ajudar os bairros a retomarem a rotina tem sido exaustivo, mas ao mesmo tempo, engrandecedor. “Queremos dar o nosso melhor. Estamos na adrenalina e a nossa força, vem da população, que sempre agradece quando liberamos sua rua, sua garagem”, conta o supervisor de Áreas Verdes, Felipe Braga, 31 anos.

Reaproveitamento

Mas para onde vão tantas árvores? Caminhões e mais caminhões levam tudo que é retirado das ruas para o espaço verde da Prefeitura de São José dos Campos.

De lá, os galhos são cortados e levados para indústrias da região que fazem briquetes de madeira. O transporte é feito por uma empresa contratada pelo município para dar o destino correto aos resíduos.

Para se ter uma ideia da quantidade de galhos que caíram desde a quarta-feira, saem 12 caminhões de 40 metros cúbicos por dia. É como se cada caminhão levasse 40 caixas d’água de mil litros cheias de galhos.

O trabalho desse batalhão vai continuar atuando pelos próximos dias. Afinal, todos sabemos que juntos somos mais fortes.

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