14/04/2024 00:46

Exploração sexual infantil no Vale: Não é só na Ilha de Marajó!

exploração sexual infantil

Após denúncias de exploração sexual infantil na Ilha de Marajó repercutirem na web outras denúncias começam a aparecer por todo o Brasil

Situação na região do Vale não é nova e nem muito diferente, mas voltou a repercutir após denúncia de cantora gospel em reality musical

Acusações de exploração sexual infantil na Ilha de Marajó, localizada no Pará, voltaram a repercutir na web após a cantora paraense Aymeê denunciar a situação, em um reality show gospel chamado Dom Reality.

A apresentação da jovem aconteceu na última sexta-feira (16 de fevereiro), emocionou jurados e imediatamente o vídeo ganhou as redes sociais. A letra da música interpretada pela paraense diz:

“Enquanto isso no Marajó, o João desapareceu esperando os ceifeiros da grande seara”.

Ao final da apresentação, a cantora Aymeê explicou a denúncia cantada por ela na melodia:

“Marajó é uma ilha há alguns minutos de Belém, minha terra. E lá, as crianças, lá tem muito tráfico de órgãos, lá é normal. Lá tem pedofilia em nível “hard” e as crianças com 5 anos, quando ela veem um barco vindo de fora com turistas, Marajó é muito turística e as famílias lá são muito carentes, as criancinhas saem em uma canoa, 6,7 anos, e elas se prostituem dentro do barco por cinco reais”, desabafou emocionada.

Exploração Sexual Infantil nas rodovias

Na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte os casos de exploração sexual infantil proliferaram com maior intensidade na internet, mas há cenas de prostituição infantil a céu aberto ao longo da Rodovia Presidente Dutra, por exemplo.

A via Dutra conta com seis pontos vulneráveis de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no trecho do Vale do Paraíba, de acordo com o estudo, a região mais vulnerável ao crime no Vale fica no eixo Caçapava-Pindamonhangaba. O mapeamento foi feito em parceria com a organização Childhood e divulgado em 2015.

Para se ter uma ideia,  o número de crianças vulneráveis à exploração sexual resgatadas em rodovias é o maior em 7 anos, os  dados são da Polícia Rodoviária Federal, que levantou mais de 9.000 pontos de risco nas estradas

A Polícia Rodoviária Federal realiza anualmente operações em postos de gasolina, restaurantes, boates, pontos de paradas de caminhoneiros, e até barracas de frutas ao longo das Rodovias Federais.

Nos últimos dois anos foram mapeados 9.745 pontos vulneráveis à exploração sexual nas rodovias.

Aumento no número de denúncias de exploração sexual infantil

Central nacional de denúncias na internet, a Safernet divulgou nesta terça-feira (6) o balanço da quantidade de denúncias de abuso e exploração sexual infantil em 2023.

Foram 101.313 denúncias, o maior número já registrado pela plataforma que faz esse levantamento desde 2006. Esse número representa a quantidade de links com imagens ou vídeos de sexo ou nudez envolvendo menores de idade.

No Vale do Paraíba a Delegacia Regional de São José dos Campos cumpriu em 2023 treze mandados de busca e apreensão e realizou seis prisões, na Regional de Cruzeiro foram cumpridos dezesseis mandados de busca e apreensão com sete pessoas presas.

Segundo a Polícia Federal o aumento das operações aconteceram depois da realização de operações conjuntas com as polícias de outros países.

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Mas a cantora paraense não é a primeira pessoa a falar publicamente da situação na Ilha de Marajó, região com 12 municípios e cerca de 500 mil habitantes.

Em 2022, a ex-ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, denunciou a exploração na ilha durante um culto evangélico. Damares chegou a dizer que crianças na região teriam dentes removidos para facilitar abusos sexuais.

A fala da ministra, na época, gerou polêmicas. Autoridades do Pará, incluindo o Ministério Público, pediram que Damares fonecesse provas do que estava falando, mas estas não foram enviadas. Após isso, 19 procuradores da República solicitaram uma ação civil pública contra a ministra.

Damares e a União chegaram a ser solicitadas para indenizarem a população do Arquipélago de Marajó (PA) em R$ 5 milhões por ter disseminado informações falsas.

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Em 2006, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados abriu uma investigação para apurar o assunto.

Segundo o Jornal Extra, na época, documentos revelaram o envolvimento de políticos locais nos casos, com aliciadores levando crianças para se prostituírem em Belém e na Guiana Francesa. Muitos municípios da região convivem com a pobreza e a miséria, um deles, inclusive, tem o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil.

Nas redes sociais, muitos internautas pedem que as autoridades deem atenção para as acusações. Famosos com a cantora Juliette e o influenciador Carlinhos Maia também se manifestaram sobre o assunto.

A deputada estadual Leticia Aguiar também postou em suas redes sociais um vídeo lembrando: “⚠️Na época, Damares Alves era ministra dos direitos humanos e denunciou os casos de abuso na Ilha Marajó (PA), chamaram ela de louca, acusaram de Fake News, pediram a cassação do mandato! ” escreveu a parlamentar.

A Ilha atualmente tem o Programa Cidadania Marajó, implementado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Este programa tem o objetivo de combater a exploração e o abuso sexual de crianças e adolescentes na região.
O reality show em que a cantora Aymeê participou e fez a denúncia é transmitido no Youtube. Ele surgiu em 2022, com objetivo de relevar talentos da música gospel. O programa é produzido por Tiago Stachon e Paulo Alberto, diretor executivo da EAD Unicesumar, em parceria com a produtora Multiforme Filmes e a plataforma de streaming Deezer. A transmissão acontece no canal oficial da EAD Unicesumar.
O programa também é considerado o primeiro reality gospel do Brasil.

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