13/04/2024 13:23

Mobilidade elétrica exige novos modelos de negócios no Brasil

A mobilidade elétrica demandará modelos de negócios modernizados, com empresas costurando articulações e parcerias para mitigar riscos e compartilhar investimentos.

A constatação faz parte do primeiro Anuário Brasileiro de Mobilidade Elétrica, lançado nesta segunda (15) pela Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME).

Edgar Barassa, da consultoria BCC, explica que modelos de negócios mais tradicionais, com investimento de uma única organização, são mais frágeis no caso da mobilidade elétrica, que demanda por investimentos maiores de aquisição.

“O que nós temos visto é que a melhor forma de contornar esse investimento inicial elevado para fazer aplicações de frota elétrica tem sido por meio de parcerias”, diz.

Segundo Edgar, as empresas estão deixando de desenhar planos de negócios de forma individual.

“Você tem a empresa que é uma boa integradora, o player do setor elétrico e a startup que faz a plataforma de gestão com inteligência. Tudo isso é sustentado por uma tríplice do olhar da tecnologia, do olhar financeiro e do olhar sustentável. Os três se complementam. Por isso a necessidade desses novos arranjos que rompem com o modelo de negócio mais tradicional”, completa.

Mesmo com números bem abaixo em relação aos países líderes, em 2019, o Brasil observou um crescimento três vezes maior, comparado com 2018, no registro de veículos elétricos leves de passageiros e comerciais.

De 3.418 veículos, a frota subiu para 11.205 unidades, de acordo com dados do Ministério da Infraestrutura (2020).

Considerando 2007, ano de início dos registros, o levantamento mostra que houve um aumento maior entre 2014 e 2016, chegando a 1.303 unidades e, 2017 e 2018, com patamar similar.

Efeito Covid nos investimentos
Ações de incentivo à mobilidade elétrica no Brasil podem encarar dificuldades em função dos efeitos da pandemia sobre a economia.

“Vimos que praticamente todos os modais foram afetados de forma negativa, considerando o estancamento de novos investimentos e desengajamento ante a iniciativas e atividades já prenunciadas”, alerta o anuário.

Segundo a análise, a depreciação do real frente ao dólar aumentou o já elevado preço de aquisição dos veículos elétricos importados, trazendo barreiras adicionais.

Contudo, o documento também indica que existem oportunidades para alavancar esse setor, com as cidades e os investidores repensando a configuração e os modelos de negócio empreendidos pelo transporte público.

Outra oportunidade indicada é o programa de P&D da Aneel, que desde 2010 engloba projetos e investimentos ligados à mobilidade elétrica.

Lançada em 2018, a Chamada 22 da Aneel trouxe um recorte específico para a mobilidade elétrica, com 30 projetos aprovados, totalizando mais de R$ 463 milhões em investimentos na área.

“De fato, se o ano de 2020 foi complexo do ponto de vista dos investimentos relacionados à mobilidade por conta da Covid-19, pode-se afirmar que a Chamada 22 é a grande responsável pela continuidade dos novos projetos de mobilidade elétrica”, relata o anuário.

Um exemplo do funcionamento desses novos modelos de negócios, a Chamada 22 estimula parcerias entre empresas, academia, startups, consultorias e outros agentes de mercado.

Adaptação ao contexto brasileiro
Para Flávia Consoni, pesquisadora da Unicamp, também é preciso considerar que o contexto brasileiro exige soluções diferentes do que vem sendo feito em países europeus.

“Nós estudamos a Noruega para aprender as políticas, principalmente de estímulo ao consumo. A gente aprende muito com isso, mas a gente não consegue trazer essa experiência para cá, porque a nossa realidade é outra”, diz.

Ela aposta em uma transição para mobilidade elétrica com a combinação de diferentes modais e tecnologias híbridas, com o uso de etanol, por exemplo.

“Eu vejo o veículo particular como aquele que vai ter essa transição mais lenta e a gente vai contar muito com a tecnologia híbrida. Nosso mercado está crescendo puxado pela tecnologia do veículo elétrico híbrido que combina o etanol”, aponta Flávia.

Projeto Zebra
O programa Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator (ZEBRA) quer acelerar a implantação de ônibus elétricos nas cidades de São Paulo (Brasil), Medellín (Colômbia), Santiago (Chile) e Cidade do México (México).

As metrópoles fazem parte do C40 Cities e têm compromissos para a descarbonização do transporte público.

Com foco no design de novos meios de financiamento e modelo de negócios para a operação do transporte público, o programa busca a formação de parcerias com instituições financeiras regionais para investimento de US$ 1 bilhão em tecnologia de propulsão elétrica e de zero emissão na América Latina até 2021.

Liderado pelo C40 Cities e pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, em inglês), o ZEBRA também atua do lado da oferta, ao obter compromissos dos principais fabricantes de ônibus e motores em apoiar o crescimento dos elétricos na América Latina.

A colaboração inclui definição de estratégias de carregamento e execução de projetos-piloto, entre outros pontos.

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