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03/04/2025 22:44

Presidente Lula visitará assentamento Olga Benário, em Tremembé, após massacre

Foto: Divulgação

O presidente Lula (PT) visitará o assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé, palco de um massacre na noite da última sexta-feira, com três mortos e cinco feridos. A informação da visita de Lula foi comunicada pela direção do movimento, que recebeu um telefonema do presidente no último sábado (11).

Um dos fundadores do MST e membro da direção nacional do MST, Gilmar Mauro foi quem anunciou a visita de Lula ao assentamento. Gilmar confirmou o telefonema do presidente e, antecipadamente, informou que a Polícia Federal entraria no caso.

Com três mortes e cinco feridos a tiro, o massacre no assentamento Olga Benário, do MST foi perpetrado por uma milícia com “armamento de guerra”, que atua a serviço da especulação imobiliária, com apoio político. Foi o que apontou Gilmar a OVALE.

De acordo com Gilmar, a RMVale tem assentamentos próximos às áreas urbanas, que sofrem forte pressão imobiliária (com a tentativa de compra ou invasão de lotes), articulada com políticos locais e tendo um “braço armado”. Os assentados já vinham sendo ameaçados.

Na avaliação do dirigente, os criminosos foram ao assentamento de Tremembé com um objetivo: matar. Ele cobra a identificação dos atiradores e dos mandantes do crime. “É a conjunção desses três ingredientes [especulação imobiliária, políticos e milícia], com a especulação imobiliária nas áreas de assentamento. A invasão foi feita por vários carros, fortemente armados”, afirmou a OVALE.

O assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, que abriga cerca de 45 famílias, é regularizado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) há cerca de 20 anos.

“[A RMVale] É uma região de alguns assentamentos muito próximo às áreas urbanas e onde há uma pressão da especulação imobiliária muito intensa, articulada com políticos locais e também com milícias para adentrar nos nossos territórios e tomar alguns lotes para ir expandindo o capital imobiliário”, disse Gilmar, à revista Fórum.

O massacre.
Os criminosos invadiram o assentamento com cinco carros e três motos, portando armas de fogo (calibre 12 e 9mm) e armas brancas, por volta das 23h20 de sexta-feira (10). Eles abriram fogo contra os assentados. A polícia suspeita que o crime esteja ligado a disputa por terras. Após o massacre, os criminosos chegaram a amarrar vítimas e prometeram que “iriam voltar”.

Morreram Valdir do Nascimento, de 54 anos, o Valdirzão, considerado uma das principais lideranças do MST na RMVale, e Gleison Barbosa de Carvalho, o Guegue, que era assentado. No início da tarde deste sábado, Denis Carvalho, de 29 anos, irmão de Gleison, não resistiu aos ferimentos e morreu, tornando-se a terceira vítima do massacre.

Em nota, o MST lamentou o crime: “Neste momento de profunda dor, o movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, se indigna perante a violência e a falta de políticas públicas de segurança nos territórios, que põem a vida de tantos em constante risco. Aos nossos mortos, nenhum minuto de silêncio, mas uma vida inteira de luta!”.

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