20/05/2024 06:48

Por que é feriado no dia 21 de Abril?

21 de abril Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi uma importante figura da história brasileira, e sua trajetória só foi resgatada e mitificada a partir da Proclamação da República em 1889.

No dia 21 de abril, comemora-se o Dia de Tiradentes, o feriado faz alusão à morte do mineiro Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido na história nacional como Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira.

Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, é um dos grandes nomes da história brasileira e, durante décadas, sua imagem esteve associada com o heroísmo de alguém que lutou contra o domínio colonial português. Essa imagem mitificada de Tiradentes foi criada logo após a Proclamação da República e popularizou-se no Brasil.

Patrono cívico do Brasil, além de patrono das Polícias Militares e Polícias Civis dos estados brasileiros, Tiradentes é nacionalmente conhecido por liderar a conspiração separatista denominada Inconfidência Mineira, contra o domínio português. Quando a trama foi descoberta pelas autoridades, Tiradentes foi preso, julgado e enforcado publicamente.

Tiradentes por que?

Mas como o herói nacional recebeu a alcunha de Tiradentes? Vamos contar esta história: Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 12 de novembro de 1746, na Capitania de Minas Gerais. Seus pais faleceram quando Joaquim José era ainda uma criança e, por causa das dívidas, ele e seus irmãos perderam todas as suas propriedades. Na vida adulta, inicialmente, ele dedicou-se ao comércio, no entanto, não teve sucesso nesse ofício.

Em função do fracasso no comércio Joaquim buscou aprender um novo ofício com seu tio Sebastião Ferreira Leitão que era cirurgião dentista, auxiliando o tio neste ofício Joaquim tornou-se conhecido o que lhe rendeu o apelido de Tiradentes.

A partir de 1780,  Joaquim José da Silva Xavier alistou-se na Cavalaria da Capitania de Minas Gerais no posto inicial de alferes. Nessa função, Tiradentes foi designado para realizar a patrulha do “Caminho Novo”, uma importante estrada que ligava as zonas mineradoras da capitania à capital, Rio de Janeiro.

Tiradentes permaneceu na cavalaria até 1787, quando pediu licença da corporação, pois estava insatisfeito com o fato de não conseguir uma promoção de posto e por ter perdido o comando da patrulha do Caminho Novo. Sua atuação levou à prisão de um famoso grupo de salteadores liderados pelo temido Montanha.

Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam o domínio português sobre as capitanias por onde circulava. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançado apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de marechal da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787. É nesse contexto que Tiradentes, descontente com o domínio colonial, teve acesso aos ideais revolucionários que circulavam em Minas Gerais.

As ideias de conspiração contra Portugal entre a elite mineradora começaram a ser alimentadas no começo da década de 1780 e ganharam força até o final dessa década, à medida que a insatisfação local crescia. A partir de 1788, o movimento iniciou-se de fato com a ocorrência de reuniões secretas e com a definição do início do motim para fevereiro de 1789 – data em que ocorreria a derrama.

A conspiração, no entanto, nunca se concretizou, pois, no começo de 1789, os inconfidentes foram denunciados por Joaquim Silvério dos Reis, um dos envolvidos na conspiração. Silvério dos Reis possuía dívidas enormes com Portugal e encontrou na denúncia da conspiração a forma de livrar-se de seus débitos com a Coroa.

A respeito da denúncia de Joaquim Silvério dos Reis, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling afirmam: “[Joaquim Silvério] Contou tudo minuciosamente, várias vezes e por escrito: os detalhes da conspiração, a senha, o nome dos principais conjurados, o projeto político, a estratégia militar”.

Com a denúncia de Silvério dos Reis, a Coroa portuguesa agiu e prendeu todos os envolvidos, inclusive o próprio Tiradentes, que foi localizado no Rio de Janeiro. A partir disso, iniciou-se um longo processo de julgamento no qual os acusados foram interrogados por diversas vezes ao longo de um período de três anos.

Envolvimento e julgamento de Tiradentes

Diferentemente do que muitos acreditam, Tiradentes não era o líder da Inconfidência Mineira, o que, no entanto, não apaga o fato de que ele teria sido um dos que mais se envolveram com a conspiração. Os historiadores afirmam que Tiradentes cumpria a importante tarefa de ser a conexão dos conspiradores com as pessoas das camadas mais pobres da sociedade.

Assim, com a interlocução de Tiradentes, a conspiração foi propagandeada por diversos grupos sociais distintos. Sobre seu papel na Inconfidência Mineira, Schwarcz e Starling afirmam que “Tiradentes foi o mais ativo propagandista das ideias que sustentaram o projeto político da Conjuração Mineira e o grande responsável por colocá-las em circulação no interior de uma rede formada pelo entrecruzamento de diferentes grupos sociais”.

21 de Abril Tiradentes

Quando o movimento foi denunciado, Tiradentes estava em viagem na cidade do Rio de Janeiro, local onde foi preso pelo seu envolvimento com a conspiração. O longo processo de julgamento dos inconfidentes estendeu-se por três anos, e a sentença saiu no dia 18 de abril de 1792. Entre os julgados, alguns foram condenados ao degredo e outros, à morte, no entanto, somente Tiradentes teve sua pena mantida.

Os outros envolvidos que foram condenados à morte receberam o perdão de D. Maria, rainha de Portugal, e suas penas foram reduzidas para degredo. Os fatos que explicam a execução da pena de morte somente para Tiradentes são múltiplas. Os historiadores levantam diversas razões: o fato mais mencionado é o não pertencimento desse inconfidente à elite da sociedade e, por isso, não possuía influência dentro da Coroa portuguesa para reverter sua pena.

Mitificação de Tiradentes

O resgaste da imagem de Tiradentes como herói e mártir do Brasil surgiu somente após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Após se estabelecer, o novo regime via a necessidade de haver figuras como heróis para fazer a aproximação do movimento com o povo brasileiro.

21 de abril Tiradentes

No caso da escolha de Tiradentes, as seguintes considerações podem ser feitas. Primeiramente, existe o fato de que, durante alguns anos de sua vida, ele foi um militar, e isso foi levado em consideração por aqueles que haviam proclamado a República – em maioria, militares. Segundo os historiadores, isso fazia parte de uma relação feita pelos republicanos com a intenção de passar a mensagem da preocupação histórica dos militares com o republicanismo no Brasil.

Além disso, existe o fato de Tiradentes ser oriundo das classes mais baixas de Minas Gerais, o que criava um paralelo de sua figura como herói republicano e das massas, ou seja, criava-se a ideia de que havia uma demanda pela República no Brasil entre as camadas populares a longo prazo.

 

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