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Região

Congregação fundada em São José dos Campos completa 90 anos com atuação em três países

Pequenas Missionárias de Maria Imaculada celebram nove décadas de trabalho dedicado à saúde, assistência social e ações humanitárias. Programação religiosa termina neste domingo (8), com missa solene na Catedral São Dimas.

Jornalista Helen Camargo3 min de leitura
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Divulgação

Fundada em São José dos Campos, a Congregação das Irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada completa 90 anos neste domingo (8). Criada a partir de um trabalho de acolhimento a pessoas com tuberculose, a instituição construiu uma trajetória dedicada à assistência à saúde, ao atendimento social e a ações humanitárias que hoje alcançam três países.

Para marcar o jubileu, a Congregação realiza uma programação religiosa entre os dias 5 e 8 de novembro, com atividades em paróquias de São José dos Campos. O encerramento será no domingo, com uma missa solene às 17h, na Catedral São Dimas.

Uma história que começou com o acolhimento de pacientes

A trajetória teve início em 1922, quando Dulce Rodrigues dos Santos, que posteriormente adotou o nome religioso de Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, chegou a São José dos Campos para tratar a tuberculose.

Sensibilizada com a situação de outros pacientes que também procuravam tratamento na região, ela começou a desenvolver um trabalho de acolhimento e assistência aos doentes.

A iniciativa contou com o apoio de dom Epaminondas Nunes d’Ávila e Silva, primeiro bispo de Taubaté, que incentivou Dulce a transformar o trabalho em uma congregação religiosa. O reconhecimento oficial ocorreu em 1936, com a aprovação do Vaticano.

Atuação na saúde e assistência social

Nove décadas depois, a Congregação reúne 137 religiosas e mantém atividades no Brasil, em Portugal e em Moçambique.

No Brasil, administra cinco hospitais por meio da Rede Madre: Pio 12 e Antoninho da Rocha Marmo, em São José dos Campos; Casa de Saúde Stella Maris, em Caraguatatuba; Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte (MG); e Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí (SC).

A atuação também inclui cinco instituições de longa permanência para idosos, distribuídas entre os estados de São Paulo e Santa Catarina, além de Portugal.

A dimensão do trabalho aparece nos números da Rede Madre, que realiza aproximadamente 740 mil atendimentos por ano. Desse total, 80% são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A rede reúne cerca de 5.600 colaboradores e disponibiliza 1.156 leitos hospitalares.

Em Moçambique, as religiosas mantêm duas missões humanitárias, com atendimento em um centro médico, acolhimento e apoio a meninas em situação de vulnerabilidade social e formação religiosa junto à população local.

São José dos Campos mantém as raízes da Congregação

A sede da instituição permanece na cidade, no antigo Sanatório Maria Imaculada. O complexo reúne a Casa-Mãe, a Capela Maria Imaculada e o Memorial de Madre Maria Teresa, que preserva documentos, fotografias, móveis e objetos relacionados à fundadora e à história das religiosas.

Criado em 1935, um ano antes do reconhecimento oficial da Congregação, o Sanatório Maria Imaculada recebia jovens com tuberculose e também abrigou uma escola de enfermagem.

Outro capítulo importante dessa trajetória está ligado a Antoninho da Rocha Marmo, menino que morreu de tuberculose aos 12 anos. Após sua morte, o sanatório construído por sua família com a ajuda de benfeitores foi doado a Madre Maria Teresa. O espaço passou a acolher crianças de diferentes regiões do Brasil e deu origem ao atual Hospital Antoninho da Rocha Marmo.

A preocupação com as famílias dos pacientes também marcou o trabalho da fundadora, que criou a Casa Santa Inês para acolher os filhos de pessoas em tratamento contra a tuberculose.

Fundadora é considerada Venerável pela Igreja Católica

A história da Congregação está ligada ao processo de reconhecimento religioso de Madre Maria Teresa. Em 2014, o papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas, concedendo-lhe o título de Venerável.

O processo de canonização foi iniciado em 1997. Um possível milagre atribuído à religiosa está em análise no Vaticano. Caso seja reconhecido, poderá representar um avanço no caminho para sua beatificação.

Na sede da Congregação, a Capela Maria Imaculada também preserva parte dessa memória. Inaugurado em 1º de maio de 1938, o espaço abriga o jazigo de Madre Maria Teresa e recebe missas diariamente.

Programação dos 90 anos

Com o lema “Eu sou o Pão vivo descido do céu, quem comer deste Pão viverá eternamente” e o tema “Dar-nos no serviço da Eucaristia do altar e da Eucaristia do pobre”, a Congregação preparou um tríduo religioso entre os dias 5 e 7 de novembro, em paróquias de São José dos Campos.

O encerramento das comemorações será neste domingo (8), data do aniversário de 90 anos da instituição, com uma missa solene às 17h, na Catedral São Dimas.

“Celebrar os 90 anos é revisitar a história de amor que deu início à nossa Congregação. Serão dias especiais de oração, gratidão e celebração por tudo o que o Senhor realizou em nossa história e pela missão que continuamos a abraçar. Todos estão convidados”, afirma Madre Vilma Marlene de Andrade, superiora-geral da Congregação.

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